domingo, 27 de julho de 2008

26° FDJ - Festival de Dança abre diálogo entre comunidade e o mundo da dança


27/7/2008 - O 26º Festival de Dança de Joinville chega ao final com novas marcas superadas. Mais de 4800 participantes estiveram nos espaços do evento, como o Centreventos Cau Hansen, Teatro Juarez Machado, Feira da Sapatilha, Cidadela Cultural Antártica, Casa da Cultura, Escola do Teatro Bolshoi, Colégio Germano Timm, Sociedade Harmonia Lyra, Estação Ferroviária, Centro de Convenções Alfredo Salfer, entre muitos outros. Cursistas, bailarinos, professores e visitantes vieram de 16 estados do Brasil e estiveram envolvidos nas mais diversas atividades da programação durante 11 dias. “O Festival é um panorama do que acontece na dança brasileira, na parte didática, de espetáculo e de pesquisa”, define Ely Diniz da Silva Filho, presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville. A Abertura do Festival teve a marcante presença do Theatro Municipal do Rio de Janeiro saudando o público com o “Lago dos Cisnes”. Duas damas do balé nacional estavam na ocasião: Cecília Kerche foi a protagonista do clássico e Ana Botafogo aplaudia da primeira fila da platéia. Outras personalidades que estiveram por Joinville foram o coreógrafo e bailarino de Dança de Salão, Carlinhos de Jesus, e o coreógrafo da Dança dos Famosos, da Rede Globo, Sylvio Lemgruber, esbanjando simpatia. Isabel Marques, doutora em Dança e umas das responsáveis pela elaboração dos documentos sobre Arte-Educação no Brasil, ministrou um fórum sobre este assunto do Dança Comunidade. Outro fórum teve a coordenação de Silvia Soter, bailarina e crítica de dança no jornal O Globo, sobre Dança em Projetos Sociais. O Dança Comunidade, que também levou crianças e jovens da periferia da cidade à sala de dança, teve como encerramento a emocionante participação de alunos especiais da APAE de Florianópolis, encenando “O Circo”, no palco da Feira da Sapatilha. Outros nomes importantes do estudo da dança como Armando Menicacci, Cristiane Wosniak, Thereza Rocha, entre outros, trouxeram conhecimento teórico em três dias dos Seminários de Dança. “Discutir e trocar experiências sobre dança são fundamentais atualmente e, por isso, esses seminários são de extrema importância. E também porque eles trazem para o Festival um público que não era freqüentador do evento”, conta Ely. Foram 150 vagas oferecidas e esgotadas. Os artigos expostos nos Seminários compõem um livro, que será lançado no Festival de 2009, como aconteceu neste ano. Os 40 cursos oferecidos e mais de 10 opções de workshops gratuitos completaram a programação didática do Festival. Uma das novidades de 2008 foi a Oficina Mix, ministrada pelo carioca Caio Nunes, que encerrou com um espetáculo musical, misturando dança, teatro e música. No total, foram mais de 2200 vagas para estudantes de balé, sapateado, jazz, dança contemporânea, e demais gêneros, além de cursos teóricos sobre prevenção de lesões e redação crítica, outra ação inédita deste ano.A Feira da Sapatilha, localizada no Expocentro Edmundo Doubrawa, anexo ao Centreventos Cau Hansen, funcionou em todos os dias do Festival e teve mais de 70 expositores em seus 4 mil m² de área. Novidades do mercado na dança fizeram sucesso entre os participantes que lotaram o espaço diariamente, e que tornam a Feira da Sapatilha a maior do setor no país. Outra inovação da Feira foi a apresentação de um desfile de moda, com coleções de quatro marcas expositoras.“O Festival está grande demais, não temos espaço físico para mais programação, por isso, as atividades em outros espaços são fundamentais. Os Palcos Abertos e, neste ano pela primeira vez, a Rua da Dança, promovem a disseminação da arte por toda a cidade e proporcionam a um maior número de pessoas apreciar a dança”, conta Ely. Também o apoio do Instituto Festival de Dança a atividades extras, como o Ritmos a Dois, a exposição de fotos e de poesias, amplia a abrangência das atividades desenvolvidas durante os 11 dias envolvendo a dança. O Ritmos a Dois retomou o romantismo da dança de salão, com um concurso de valsa, bolero, forró, samba e tango. Segundo ele, a cada ano aumenta a quantidade de espaços em que os Palcos Abertos acontecem. Além das empresas, hospitais, shoppings e praças, este ano o Festival inovou levando coreografias a uma obra em construção.
As apresentações dos Palcos Abertos e da Mostra Competitiva somaram, juntas, 1740 coreografias inscritas de todo o país, 254 grupos selecionados de 16 estados do Brasil e três do Paraguai e Argentina. No total, foram mais de 220 horas de dança nos Palcos Abertos, Mostra Competitiva, Meia Ponta e Mostra de Dança Contemporânea.O Encontro das Ruas que acontece pelo terceiro ano no Festival teve batalhas de B-Boys, Free Style, Popping e MCs, além de apresentações de DJs e Rappers e mostra de Grafite. O universo das ruas recebeu atenção especial da organização e atraiu o público amante do Hip Hop em dois dias de evento. A Dança de Rua também apareceu no palco do Centreventos, na Mostra Competitiva, junto com mais seis gêneros de dança: Balé Clássico, Jazz, Dança Contemporânea, Balé Clássico de Repertório, Sapateado e Danças Populares.“O nível dos bailarinos está muito elevado, por isso os jurados tiveram muito trabalho na escolha dos campeões”, conta Ely, que revela que o número de premiados em 2008 foi maior que no ano passado. “Este ano os destaques das noites competitivas, no geral, foram o Jazz e as Danças Populares. O Balé, é claro, predomina, com 50% das participações”.Outro ponto alto do Festival foi a participação dos solistas russos do Bolshoi abrilhantando a Noite de Gala com a peça “Don Quixote”. Natalia Osipova e Andrey Bolotin protagonizaram o enredo de Miguel de Cervantes, juntamente com alunos e bailarinos da Escola Bolshoi de Joinville. A força dos saltos e a precisão das piruetas levaram o público que lotou o Centreventos ao êxtase. A seleção dos trabalhos inscritos é de responsabilidade de quatro profissionais que compõem o Conselho Artístico do Festival. A cada dois anos, dois deles deixam o cargo, fazendo com que o grupo seja mesclado de tempo em tempos, garantindo a idoneidade e ética. Neste ano, a partir de setembro, já participam do Conselho os recém eleitos Sueli Machado, de Minas Gerais, e Sandra Meyer, de Santa Catarina, no lugar de Ângela Nolf e Ângela Ferreira. Compõem ainda os já conselheiros Airton Tomazoni e Eliana Caminada.


Por Andre Guesser

Créditos:
Agência Espetaculum
Foto: Alceu Bett

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